POESIA / 21 de fevereiro de 2026
Gsnowcw

No azul parado do mundo
há um segredo em espiral.
Não é vento,
não é ave,
não é planta,
é um sussurro que ganhou forma.
Fios brancos dançam
como cabelos de um sonho
que acabou de acordar
e ainda não sabe seu nome.
Há manchas verdes
como folhas submersas
num lago que respira devagar.
Há sombras escuras
como portas entreabertas
que ninguém ousa atravessar.
Tudo gira,
mas sem pressa.
Como se o próprio tempo
tivesse decidido brincar.
No centro, se existe centro,
mora um coração de tinta e água,
batendo baixo,
chamando o invisível para dançar.
E o fundo azul observa,
calmo,
como um céu que guarda
o segredo de todas as quedas
e de todos os voos.
É um sonho que não quer explicar-se.
Apenas girar.
Apenas ser.
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