POESIA / 21 de fevereiro de 2024
Picotava frases em seu redor

Picotava frases em seu redor, num chão de carvão, num chão de palha.
Levantava voo no alpendre de seda, nas costas do seu poema, no telhado da sua estrofe erguida em muralhas de algodão.
Tontos são os sonhos do silêncio, balbuciados ao vento, na penumbra do alento.
Entre paredes se esconde o pergaminho do grito, da existência de um cetro, um relógio que conta a gotas o registar dos dias, entre poentes de discórdia, sobre qual vai ser a tónica do dia.
Na dança das sombras, o caminho é risco de terra plantado à beira luz, à beira estrada de ondas solitárias que conduzem ao eixo da verdade, da saudade e da tinta no rosto.
Sorrir é cavalgar no pensamento, regressando à estrada original onde as frases picotadas não levantavam com o sopro de um simples luar. Mantinham-se firmes no decalque, firmes na tempestade provocada por esse gesto absurdo....que é o de respirar.





